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Depoimento: Cesariana x Parto Normal

  • Pâmela Prux
  • 4 de fev. de 2015
  • 8 min de leitura

Bom Dia!!!

Vamos tratar hoje de um assunto que ainda cria muitas polêmicas: aguentar firme na decisão de ter um parto normal ou aceitar os argumentos, nem sempre corretos, que muitos médicos utilizam para induzir a uma cesariana...difícil né...

Trago pra vocês um depoimento emocionante da mamãe Maria Carolina que passou pelas duas experiências...

"Cesariana x Parto normal

Por ter passado pelas duas experiências, acredito que posso ajudar na tomada de decisão de um momento tão importante na vida de uma mãe. No entanto, gostaria de deixar claro que vou falar de uma experiência pessoal minha, e que sei que cada caso é um caso, e que as consequências podem variar de pessoa para pessoa. Só acho que, infelizmente, atualmente alguns médicos se preocupam mais com o retorno pessoal de uma cesariana e, com isso, não se preocupam muito em respeitar a vontade de algumas mães que optam pelo parto normal.

Minha primeira gravidez ocorreu em 2012, e minha filha mais velha nasceu no dia 06 de outubro de 2012, de parto cesária. Acho que devo dizer aqui que sempre quis optar pelo parto normal por acreditar, de fato, como o próprio nome diz, que esta é a forma mais "simples", para não dizer adequada, de se colocar um filho no mundo. Além disso, sempre achei melhor evitar intervenções cirúrgicas, por vários motivos. Expressei minha vontade para a médica que me acompanhava na época e, aparentemente, ela me apoiou na minha decisão. Em todas as minhas consultas eu reforçava para ela essa vontade, e decidimos não marcar a data do parto.

No dia 05 de outubro de 2012 fiz uma ultrassonografia de acompanhamento fetal, e estava tudo bem com o bebê, tendo ficado claro que era só continuar acompanhando e aguardar. Neste mesmo dia, por volta das 21 horas, comecei a sentir contrações cada vez mais frequentes e demoradas. Na medida em que a frequência das contrações iam aumentando, a intensidade da dor também era maior.No entanto, era uma dor suportável, aliviada pela alegria do pensamento da chegada de um filho logo em breve, da maneira como a natureza mandava. Passei a noite sentindo estas dores calada e, por volta das 4 da manhã, chamei meu marido dizendo que precisava ir para a maternidade.

Tentei entrar em contato com a médica, mas não consegui. Na maternidade (Promater) conseguiram entrar em contato com ela. A médica da emergência me examinou e viu que eu só estava com 3 cm de dilatação, mesmo tendo sentido contrações durante toda a noite toda. Quando minha médica chegou, ela me informou que tinha três cesarianas marcadas para aquela manhã de sábado, e me encaminhou para o apartamento, enquanto fazia estas cesarianas. Mandou eu caminhar bastante para ver se a bolsa estourava e se a bebê encaixava, pois isso não havia acontecido até aquele momento.

Após terminar as três cesarianas, a médica voltou a me examinar, e viu que a dilatação ainda era muito pequena (5 cm, por volta das 11 horas da manhã), decidindo me encaminhar para uma cesária, "pois meu útero era muito arqueado, e minha fisiologia dificultava que eu tivesse um parto normal" (palavras da médica), alegando também que minha bolsa não havia estourado e que a bebê não havia encaixado. Naquele momento eu não sabia o que era e o que não era de fato verdade, e fiquei de mãos atadas, me restando apenas aceitar a decisão dela. Entrei no centro cirúrgico e, às 12:04 nasceu Marina.

Antes de decidir pelo parto normal, eu havia conversado com muita gente, e observei que a recuperação de uma cesariana dependia muito de cada pessoa e de cada caso. No entanto, como já falei anteriormente, eu estava optando pelo parto normal por sempre ter acreditado que esta é a forma mais simples e mais saudável de se ter um filho (o próprio nome já diz), sem necessidade de intervenções cirúrgicas e anestesias desnecessárias.

Meu pós cirúrgico foi realmente muito sofrido. Até hoje eu não sei explicar o porque. Como foi feita uma cesariana, a médica aproveitou para queimar uns cistos que haviam nos meus ovários, mas ela mesma sempre disse que aquilo não era motivo para eu sentir as dores que eu dizia estar sentindo.

Ainda na maternidade senti muitos gases e, na primeira vez que fui levantar, senti uma dor e uma fraqueza que quase me fizeram desmaiar. No momento que tentei sair da cama, minha vista escureceu de tal forma que me fez sentar novamente. Minha recuperação demorou muito, e eu sentia muitas dores ao ir no banheiro. Algumas pessoas não entendiam como eu continuava sentindo dor mesmo tomando uma medicação tão forte que a médica havia passado para aliviar aquilo. Foram cerca de três meses para eu voltar a andar normalmente.

Em 2014 engravidei da segunda filha e, após ter passado por todo aquele sofrimento, decidi que iria ser mais firme na minha decisão de ter parto normal. Muitas pessoas me diziam que eu não ia conseguir porque tinha passado por uma cesariana. Mudei de médica. Na primeira consulta já expressei minha vontade e ela não negou que daria para fazer, mas também não deixou aquilo certo. Em todas as consultas eu insistia na minha vontade.

No dia 8 de novembro de 2014, por volta das 20 horas, comecei a sentir as contrações mais fortes e mais frequentes (da mesma forma como ocorreu na primeira gravidez). Eu estava em um salão de beleza fazendo mechas no cabelo, e sabia que a qualquer momento aquilo poderia acontecer.

Como eu estava certa de que queria parto normal, decidi conhecer uma fisioterapeuta que foi indicada pela minha cunhada, e fiz apenas uma sessão, na qual ela me ensinou técnicas de respiração, alguns exercícios, e como contrair a musculatura no momento das contrações. Aquilo me ajudou muito. Além disso, ela me deu algumas dicas, tais como: se minha bolsa não estourasse, eu ficasse aguentando as dores em casa e, na hora das dores, tomasse banho morno que aliviaria bastante. Assim eu fiz. Fiquei fazendo os exercícios de respiração e tomei dois banhos mornos durante a madrugada. Todo mundo me pergunta se senti dor, e sempre respondo que senti, mas nada que fosse insuportável, como algumas pessoas dizem sentir.

Fui pra maternidade por volta das 3:30 da manhã, pois nessa hora já estava ficando mais difícil ficar em pé na hora das contrações. Sentia necessidade de ficar emborcada. Tentei contactar a médica, mas não consegui. Sabia que ela sempre operava mais no Papi, porém, como a Promater fica mais perto da minha casa, eu e meu marido fomos lá primeiro. Eu já havia conversado sobre isso com a médica, e ela havia me dito que iria para onde eu achasse mais conveniente, uma vez que a maternidade seria obrigada a me atender, por tratar-se de um atendimento de urgência, tendo assim prioridade em relação à cesarianas já agendadas.

Ao me examinar, a médica da urgência da Promater disse que eu estava com 5 cm de dilatação, mas que, como eu queria parto normal, e já havia passado por uma cesariana há 2 anos e 1 mês (a contra-indicação é para tempos inferiores a 2 anos), ela não se responsabilizava por nada, e não autorizava minha internação (apenas se eu quisesse uma cesariana). A todo tempo, eu continuava tentando contato com minha médica.

Sem sucesso, eu e meu marido decidimos ir para o PAPI, e chegamos lá por volta das 4:15 da manhã. A médica da urgência disse a mesma coisa...que ela estava sozinha e não iria se responsabilizar por um parto normal após uma cesariana. Infelizmente, eu acho que se negam a isso por ser um procedimento mais barato, e naquela situação, só me restava conseguir falar com minha médica. Após continuar insistindo, consegui contactá-la e expliquei a ela o que estava acontecendo. Em seguida, ela ligou para o PAPI e autorizou a minha internação, dizendo que chegaria logo em seguida.

Quando ela chegou, por volta das 5 da manhã, eu já estava com 8 cm de dilatação, mas minha bolsa ainda não havia estourado. Ao me examinar, ela disse que Isabela não estava encaixada, apesar da minha dilatação estar bem avançada, e que ela iria estourar minha bolsa. Caso Isabela não encaixasse após isso, ela teria que fazer uma cesariana. Mais uma vez me senti sem chão! Assim que ela estourou a bolsa, senti um calor enorme na minha barriga, de cima para baixo, e logo ela falou: "sua filha está descendo. Vai dar pra ser normal!" Fiquei cheia de esperança novamente! A partir dali, ela mandou eu fazer muita força em toda contração que eu sentisse, com muita vontade. Acho que a partir daquele momento, foram apenas mais quatro contrações. Claro que foram as mais dolorosas, mas eu tinha sempre na minha cabeça que estava muito perto. Durante o procedimento, ela perguntou se eu estava aguentando a dor, pois o anestesista de confiança dela não estava no PAPI naquele momento, e ela achava que nem dava tempo de ele chegar. Eu falei pra ela que eu preferia não tomar anestesia, pois sempre senti certa insegurança com anestésicos, e gostaria que tivesse o mínimo de intervenções possíveis, enquanto eu aguentasse.

Claro que as conversas eram sempre entre uma contração e outra. Depois, ela achou que pela minha dilatação,Isabela estava demorando para nascer, e me informou que iria fazer um pequeno corte na minha vagina, para ajudar na passagem já que eu não iria tomar anestesia, foi quando ela deu um anestésico local na vagina, e fez um pequeno corte. Após aquele corte, na contração seguinte, Isabela nasceu, às 6 horas da manhã. Assim que ela nasceu, a médica disse na sala de parto que ela estava laçada (com dois laços), e por isso tinha demorado um pouco para descer. Isto não havia sido visto nas ultrassonografias.

Naquele momento dois "tabus" estavam sendo quebrados:

1) a impossibilidade de um parto normal após uma cesariana,

2) a impossibilidade de um parto normal quando o bebê está laçado (eu já havia lido que isso era mito).

No meu caso, já que eu já havia passado por uma cesariana, eu não podia tomar nada para estimular as contrações, como também a médica não podia fazer força alguma na minha barriga para ajudar Isabela a descer, para não correr risco de haver uma ruptura uterina. Este risco ocorre quando a mulher já passou por alguma cesariana antes do parto normal. Procurei ler muito sobre isso, e vi que existe um certo risco quando os partos são muito próximos (é estabelecido um tempo mínimo de2 anos). Porém, após ler sobre os dois procedimentos, considerei que as vantagens de um parto normal, tanto para a mãe, quanto para o bebê, eram maiores, se sobrepondo aos riscos dos dois procedimentos. Também me senti mais segura porque minha médica havia me falado que o tempo que tinha entre meus dois partos (2 anos e 1 mês) era suficiente.

Senti uma alegria enorme na hora que Isabela nasceu! Na mesma hora, colocaram ela em cima de mim, para mamar, mas ela só queria dormir. No parto normal não apenas a mãe trabalha, mas o bebê trabalha muito também. Seis horas depois, eu já estava me levantando sozinha para tomar um banho. O incômodo que eu sentia era referente a episiotomia, que acredito daria para ser evitada, porém, aquele incômodo não era nada perto do que eu havia sentido após a minha cesariana. Pelo que lembro, 4 dias depois, aquele incômodo começou a desaparecer e, em menos de uma semana, eu sentia que os pontos já haviam sido absorvidos e eu não sentia mais nada.

Com relação às minhas filhas, a principal diferença que notei nelas foi na respiração. Nos primeiros meses de vida, Marina sempre apresentou uma respiração mais agoniada, e apresentava um barulho como um "roncado" depois que mamava e sempre que ficava mais agitada. Já Isabela sempre apresentou uma respiração mais tranquila, e sem barulhos. Não posso afirmar que isto tem a ver com o parto, mas lendo sobre o assunto, já vi estudos que afirmam que sim. Outra diferença que notei foi com relação ao leite. Meu leite foi bem mais abundante após o parto normal.

Após a experiência com o parto normal, percebi

que, provavelmente, meu primeiro parto também daria para ter sido normal, caso a médica optasse por estourar minha bolsa, e que os argumentos dela talvez não tinham veracidade.

Gostaria de ressaltar mais uma vez que meu depoimento aqui é referente a uma experiência pessoal, além de acreditar que cada caso é um caso, mas não deixo de acreditar que um parto normal é sempre mais seguro que uma cesária, salvo algumas exceções. Para finalizar, gostaria de indicar o documentário: "O renascimento do parto" para as mães que se interessarem. Espero ter ajudado. Caso alguém queira tirar mais dúvidas, me coloco à disposição".

Maria Carolina

Liiiiindo não é minha gente??

Nesse momento sinto um misto de raiva das minhas médicas e de mim mesma!! Snif...snif...

Espero que tenham gostado tanto quanto eu!!

Beijos e até o próximo post...

 
 
 

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