Não confio em ninguém para cuidar do bebê
- Pâmela Prux
- 31 de ago. de 2015
- 4 min de leitura

É normal, principalmente se este for seu primeiro bebê, que você se sinta a única responsável pelos cuidados dele e se sinta mal só em pensar em deixá-lo com outra pessoa. Também é normal que tenha medo que alguma coisa ruim aconteça com ele. No entanto, a separação entre você e o bebê é inevitável, e você precisa começar a treiná-la aos pouquinhos. Mesmo que agora não pareça necessário, você vai precisar passar algum tempo longe do seu filho -- seja para poder descansar, seja para o caso de uma emergência, seja no momento de voltar a trabalhar depois da licença-maternidade, se isso se aplicar a você. Nos primeiros meses de vida do bebê, é realmente mais difícil deixá-lo com outra pessoa, até em termos operacionais. Além da questão da amamentação exclusiva, a mãe e o pai são aqueles com quem o bebê fica melhor nessa fase, até por uma questão de identificação do cheiro e da voz. Para você e para o bebê, é como se a gravidez nem tivesse terminado ainda. É tendência natural da mulher, segundo Vera Iaconelli, psicanalista e coordenadora do Instituto Gerar, querer cuidar do bebê integralmente, como acontecia dentro do útero, tanto por instinto como por razões culturais.
"A mãe tem na cabeça um modelo de maternidade em que ela deve prover tudo ao filho, como foi dentro da barriga", diz.
No entanto, depois que o bebê nasce, é muito difícil fazer tudo sozinha. "Antigamente, as mulheres criavam seus filhos juntas. As irmãs e primas tinham filhos ao mesmo tempo e eles eram cuidados coletivamente", afirma a especialista. Hoje em dia, a experiência da maternidade é muito mais solitária, e a mulher, quando tem um filho, normalmente tem que aprender a cuidar dele do zero – e costuma se cobrar a fazer isso sozinha e se cobrando perfeição. Delegar alguns cuidados e dividir a atenção do bebê vai fazer bem para você. Confira algumas sugestões para conseguir aceitar ajuda e vencer a insegurança.
Prepare-se para a culpa
"Cuidar de um bebê é difícil e tem seu custo emocional", diz a psicanalista. Uma das próprias manifestações de se sentir sobrecarregada e estressada é a ansiedade e o medo excessivo de que alguma coisa ruim aconteça com o bebê. Você não precisa dar conta de tudo sozinha se puder ter a colaboração do parceiro, de algum parente próximo ou de uma amiga. Por mais que você ame cuidar do seu bebê, é normal sentir cansaço com tantas mudanças na sua vida. Procure aceitar esse cansaço e não se surpreenda se se sentir culpada de sentir até certo alívio no momento em que finalmente conseguir se afastar um pouquinho da cria. Lembre-se de que sua individualidade quase desapareceu com a chegada do bebê e com sua dedicação integral a ele. Com o tempo, porém, ela vai voltando, e vocês dois vão ter de construir uma convivência como duas pessoas independentes.
Tente se conformar com a falta de controle
Procure ter em mente que acidentes infelizmente acontecem, mesmo sob os olhares mais atentos, como o seu, e que por mais que você queira não vai conseguir controlar todas as circunstâncias em torno do seu filho, para protegê-lo de todo o mal. Esse é um dos grandes aprendizados da maternidade: não dá para controlar tudo, e não dá para colocar a criança dentro de uma redoma.
Comece aos poucos
Peça (e permita) a participação do pai ou de um familiar bem próximo nos cuidados com o bebê. Primeiro com coisas básicas, como troca de fraldas, de roupa, colocar para arrotar, até que tanto eles como você se sintam confiantes, por exemplo, para tarefas mais complexas como o banho no bebê. Não tem problema se no começo você sentir a necessidade de ficar junto. Apenas se esforce para segurar as críticas, tentando lembrar que existe mais de uma maneira correta de cuidar de uma criança pequena. Quando estiver se sentindo mais segura, peça para alguém ficar em casa olhando o bebê enquanto ele dorme e vá dar uma volta no quarteirão, ou até o supermercado, ou quem sabe até o salão para fazer as unhas. Aos poucos, você se sentirá mais tranquila para aumentar o tempo de ausência.
"Confesso que fiquei com medo de meu marido machucar nossa filha quando era bebê, porque ele não consegue medir sua força", conta uma mãe. "Mas graças a Deus foi só um medo bobo da minha parte. Desde a primeira troca no hospital ele foi muito habilidoso e cuidadoso".
Seu bebê, acima de tudo, precisa de amor
Não existe alguém perfeito para cuidar de seu bebê -- nem você é perfeita. Não é de perfeição que uma criança precisa, e sim de um adulto responsável para administrar suas necessidades diárias e cercá-la de carinho. "O mais importante é que a pessoa que cuida do bebê esteja envolvida emocionalmente com ele, que trate dele com amor", diz Vera Iaconelli. Outra vantagem de dividir um pouco dos cuidados com alguém é que a aproximação logo nos primeiros meses do bebê também facilita a construção de laços afetivos entre ele e outros familiares, o que é fundamental para a convivência vida afora. É óbvio que, como mãe, você tem direito a estabelecer regras para o cuidado com o bebê e deixar claro que prefere certas coisas desse ou daquele jeito. Mas procure não exagerar na mentalidade de que só você sabe fazer direito. Esse tipo de atitude exclui seu filho de outros relacionamentos importantíssimos, como os com os avós. Quanto mais amor seu filho receber, melhor para ele. Acredite!!
Em caso de necessidade, procure ajuda profissional
Se a sua angústia só em pensar em se separar do bebê estiver atrapalhando a sua vida ou a da sua família, ou se você se pegar com medos irracionais ou pensamentos muito catastróficos em relação ao seu filho, talvez seja o caso de procurar ajuda de um médico ou de um psicólogo. Pensamentos ruins em relação à sua saúde ou à do bebê podem ser sinais de uma depressão pós-parto. Se você ou alguém da sua família achar que é esse seu caso, não hesite em procurar um profissional e pedir orientações. Seu próprio obstetra ou o pediatra do seu filho podem auxiliar com a recomendação de alguém especializado nesse tipo de situação.
Fonte: Baby Center
Comentários