Relato de uma tentante - Quando ser Mãe?
- Pâmela Prux
- 17 de set. de 2015
- 6 min de leitura
Olá meninas!!
Em meio a pesquisas para trazer novidades para vocês encontrei um blog de uma doula de Brasília chamada Adele que recebeu um e-mail de uma tentante, que ela carinhosamente chamou de Lua, e nele um relato muito emocionante que compartilho com vocês abaixo.
Esta semana recebi um E-mail que mexeu bastante comigo, a começar pelo intrigante título: Quando ser mãe? (E-mail longo e cheio de divagações). Durante a leitura, me identifiquei muito com o momento que a moça, vamos chamá-la de Lua, está vivendo atualmente. Como decidir, conscientemente, que é chegada a hora de ter um filho? O que leva uma mulher a tomar essa decisão? Como é esse processo?
Lua compartilhou comigo suas dúvidas e questionamentos, e sua decisão final, com a qual se tornou oficialmente 'tentante'. E ela agora autorizou a divulgação de seu E-mail aqui no blog, pois acredita que seu processo possa ser útil para que outras mulheres também possam refletir acerca da gravidez.
Espero que gostem!
Adele Doula
Relato de Uma Tentante - Quando Ser Mãe?

Quando ser mãe? (E-mail longo e cheio de divagações) Eu quero ser mãe, mas quando?.... É o dilema... é a idade certa, a carreira certa, o tamanho certo, a grana sobrando (que ninguém tem), a hora certa, o horóscopo certo, os planetas estão alinhados para o nascente, houve cessar fogo em algum lugar do mundo... ai ai...tudo é desculpa! Estava a ler coisas na internet... Certo dia, vi um trecho de uma revista voltada para adolescentes: "- Cuidado menina, gravidez acaba com a sua vida!" Assim, mas sem aspas... no mínimo, ridículo! Será alguma campanha misantrópica? Que coisa mais absurda! Em vez de educar, assusta! Será que existe mesmo algo mais precioso e valioso pelo qual valha a pena do que a vida? Será que as adolescentes que lêem esse tipo de publicação aprenderão a respeitar o seus corpos e entender as implicações desse evento tão importante em suas vidas? Não sei. Ando meio crítica e maluca ultimamente... Acho que é preciso respeitar o próprio corpo e saber os próprios limites, desenvolver a auto estima, amar o próximo, se cuidar. Mas nada como um bebê ser uma bomba atômica! Nada disso! Até um tempo atrás, eu sonhava com minha mãe me batendo se me descobrisse grávida. Após os 30 anos comemorados a um tempinho atrás eu percebo que o momento é o momento e pronto. Seja adolescente, seja mais madura. Aff! O que acontece é que sendo adolescente a maturidade terá de ocorrer mais cedo. Mas estabelecer que a vida vai acabar e uma possível carreira brilhante não está mais nos planos da menina não vai resolver. É preciso dar apoio, carinho e ensinar que as responsabilidades que poderiam ser adiadas chegaram mais cedo. Só isso. Nada mais que isso. O mundo não acabou. Os planos não acabaram. Apenas tiveram de ser "adiados". Essa sanha desenfreada pelo progresso e independência financeira tem empurrado as mulheres a evitar o que de mais natural existe: ser mãe. Aí o script: - crescer - adolescer - amadurecer - faculdade - mestrado - doutorado - pós doutorado - especializações diversas - trabalho - enriquecer - casar - curtir a vida de casados sem filhos - comprar casa com quartos sobrando - comprar o carro do ano - fazer MUITAS viagens - maternidade (ops, será que ainda dá tempo de engravidar?) Não estou dizendo que as mulheres devem deixar de trabalhar ou de realizar seu próprio script para serem mães. Estou apenas sendo contra o modelo que olha para a mulher grávida (adolescente ou não, que resolveu abreviar esse modelo) como se ela fosse um ser anormal, insano e bizarro que precisa se livrar daquele barrigão enorme a qualquer custo... de preferência arrancado de modo "indolor". Contei meu sonho para a minha mãe e ela me disse: filha, que horrível. Jamais faria isso contigo. Você sabe disso. Eu te amo. Muito lindo... agora que estou mais velha, cara pálida... fica fácil. Mas falar isso para uma adolescente às vezes pode soar estranho com o discurso "se engravidar eu te mato" que a classe média impõe às meninas.. Doutra forma, seria a senha para a mocinha "irresponsável" esquecer a camisinha e procriar "antes da hora". Em outro extremo, li uma reportagem sobre o trabalho dos médicos sem fronteira na ásia central, atendendo mulheres grávidas que fugiam da guerra depois de perderem tudo. Entrevistada, uma delas disse pouco depois de parir olhando e sorrindo para o filho (engasguei em lágrimas): "É o tesouro vindo do céu. A esperança, a vida." É amor demais. Como as mulheres têm capacidade de amar dessa forma tão intensa? Putz, a criatura veio sentindo contrações sabe lá de onde, depois de ter perdido o marido e a casa e... ainda fica feliz com uma criança nos braços para criar...É um misto de coragem e insanidade. Só os psicólogos explicam (mando essa para você, hahaha) Outrora disse para minha prima que tinha medo de ser mãe. E ela me disse: - Quando se está grávida, não sei de onde vem, mas uma coragem para a vida enorme surge em você. Escutei na hora sem entender direito o significado disso... A maturidade não está no que se escuta, mas nas lições que se aprende quando se vive. Isso é fato. Pronto, desabafei... (com lágrimas nos olhos enquanto escrevo, é claro!) Vamos aos fatos: Estou com dois tios meus, idosos, sofrendo com a praga do câncer. Que doença horrorosa! É difícil reconhecer nossas limitações enquanto seres humanos. Achamos que estamos com tudo... mas diante dessas situações percebemos que, definitivamente, a vida não nos pertence. Podemos nos alimentar melhor, exercitar, dormir, mas... quando chega a hora, vem para todos... democrática e indistintamente. E se deparar com isso demanda muita, muita reflexão. O que realmente importa? O que realmente é importante para nos sentirmos felizes? Se essa vontade de ser família é verdadeiramente sincera... se esse estar feliz é honesto para você... enfim... Refleti muito, rezei muito, chorei e cheguei à conclusão de que não dava mais para eu inventar desculpas para evitar essa vontade de ser mãe e os olhares de ansiedade do marido quando utilizávamos o tal do preservativo... Enquanto usávamos, lembrava dele (após a cura do meu sogro de um câncer de pele este ano) dizendo que queria ser pai, que estaria comigo em todos os momentos, que me amava e respeitava as minhas decisões. E eu ali na fronteira... deixar para depois dos 35 poderia significar uma única criança se e, por acaso, desse certo de eu engravidar nessa idade. E, como me dói muito ser filha única e meu marido também é filho único, essa é uma possibilidade fora de cogitação da minha parte (e da dele também). Faço 32 mês que vem... o tempo está se esgotando... Queremos, pelo menos, dois filhos. Mas um filho não é uma decisão exclusivamente da mulher. Eu penso assim (tem mulher que acha que não... tudo bem.). E, depois de um passeio no final da tarde, seguiu o seguinte diálogo: Disse a ele: - coloco nas suas mãos a decisão também. Estou no início do período fértil. Segundo a internet (cálculos de internet... hahahaha) pode ser menina (ele é louco para ser pai de menina). E ele disse: - Oh, meu amor... E os seus planos? E os cargos que pretende ocupar? E a sua realização profissional? Vamos adiar mais um pouco... ou não? E eu respondi: - o que vale a pena neste momento das nossas vidas, meu amor? Não passamos fome, não temos sede, vivemos sob um teto... o que mais precisamos? Acho que nosso ninho está pronto, mas vazio. Sempre será isso: depois, depois... só mais um ano, um mês, só mais três meses, só mais uma semana... o amanhã que nunca chega... o momento que nunca vai ser o ideal... E ele respondeu: - o que importa é estar do lado de quem se ama. Eu te amo e estou do seu lado. Seremos uma família. Deus cuida de nós. Me senti muito feliz e segura com essa resposta. Fiz o ritual. Rezei com a mão no meu ventre pedindo a Deus a sua proteção sobre a nossa família. Preparei a nossa cama com cetim vermelho que comprei mês passado, passei um perfume gostoso e vesti uma camisolinha especial (eu estava irresistível, modéstia à parte... hahahaha). E tivemos uma noite maravilhosa, em pleno período fértil sem preservativo e sem culpa (de ser adolescente, de estar desempregada, de estar acima do peso, das estrias, da celulite...de estar velha demais para isso e outras tantas neuroses). Pronto. Contei :)! Espero estar grávida. Se não estiver, volto para as continhas novamente... e quantas vezes forem necessárias para prepararmos a primeira criança.
Bjocas, Adele! Até!
Lua
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